Xangô Rezado Alto
Em 1912, Maceió foi palco de um espetáculo sórdido, sombrio e desumano.
Euclides Malta exercia o poder a 12 anos, o que incomodava a algumas figuras ilustres da época. Acreditava-se que a oligarquia entre a família Malta e os terreiros de Candomblé era o que os mantinham no poder de mando. Os Malta assim seriam protegidos dos Orixás.
A ganância e a sede de poder foram motivos suficientes para a depredação das dezenas de terreiros de Candomblé da cidade de Maceió. O pouco conhecido “Quebra”.
Foto Marco Antonio de Campos
Dia 2 de fevereiro de 2006, quando 94 anos depois da morte de Tia Marcelina, que morreu decorrente desse episódio chamando por xangô (orixá guerreiro), o projeto Xangô Rezado Alto pretende ser uma manifestação e um resgate da cultura negra ainda tão marginalizada em Alagoas. Ele pretende ser um marco sobre o rompimento do silêncio e da violência que de resto se abate e sempre se abateu sobre as culturas populares e que para além ou dentre a violência do extermínio, a violência do esquecimento. (Edson Bezerra, Autor do Manifesto Sururu e do projeto Xangô Rezado Alto).
Foto Marco Antonio de Campos
Por conseqüência do “Quebra”, várias manifestações da cultura popular alagoana, associadas a prática do Candomblé, desapareceram. Porém ainda podemos ver uma silenciosa emergência destas manifestações, a exemplo do Afoxé Odó Iya no bairro da Ponta da terra, o Maracatu Axé Zumbí e a Orquestra de Tambores no bairro do Vergel do Lago.
Foto Marco Antonio de Campos
O projeto Xangô Rezado Alto pretende romper barreiras e pela primeira vez unir filhos de santo, capoeiristas, bumba-meu-boi, outras manifestações afro-descendentes e principalmente a população que foi impedida de ter contato com essas artes por tanto tempo.
Foto Marco Antonio de Campos
O Xangô Rezado Alto não pretende ser um projeto a ser realizado de fora pra dentro, mas, sobretudo de um projeto a ser vivenciado e situado no contexto de dar visibilidade e dizibilidade a emergência das culturas negras a partir da consciência da própria comunidade. (Edson Bezerra).
Foto Marco Antonio de Campos






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